E se a solução para todos os problemas carcerários do país
fosse simplesmente reiniciar as pessoas?
Sem superlotação de cadeias, sem corrupção, sem criminosos.
O livro “Reiniciados” de Teri Terry aborda um tema distópico, que mostra como alternativa um mundo regido por uma lei na qual qualquer erro ou ameaça ao governo faz com que você se torne um reiniciado.
"Você saberia o que é verdade se sua mente
tivesse sido apagada?"
“As lembranças de Kyla foram
apagadas, sua personalidade foi varrida e suas memórias estão perdidas para
sempre. Ela foi reiniciada. Kyla pode ter sido uma criminosa e está ganhando
uma segunda chance, só que agora ela terá que obedecer as regras. Mas ecos do
passado sussurram em sua mente. Alguém está mentindo para ela, e nada é o que
parece ser. Em quem Kyla poderá confiar em sua busca pela verdade?”
Quando se trata de uma distopia
tentamos relacionar, inconscientemente, o mundo em que vivemos com o mundo do
livro. Ainda que sejam completamente diferentes, alguns aspectos nos lembram da
atual realidade ou talvez uma realidade passada. No caso de Reiniciados que se
passa na Inglaterra, 50 anos na frente, me recordo da época de ditadura, na qual liberdade de expressão
é igualada a um crime.
O livro já começa com Kyla sem
memórias, no hospital. Esse é um dos fatores que torna o livro mais
interessante, assim com ela não sabe quem é, nós também não sabemos. Vivemos o
que ela vive, procuramos o que ela procura, e tentamos lembrar quem foi Kyla e o que ela fez pra se tornar reiniciada.
A lei prega que até os 16 anos de
idade, todos possui uma segunda chance, após o reinício, passam alguns dias no
hospital reaprendendo a andar, a comer, a ler, a agir como um humano. E então são
adotadas por famílias. Cada reiniciado carrega em seu braço um Nivo, uma espécie
de relógio que mede as emoções, se marcar um nível muito baixo, o Reiniciado
morre, se o retirar, o Reiniciado morre.
Kyla, sente que algo não esta
certo, ela tem pesadelos todas as noites sobre uma Kyla que ela não conhece.
Aos poucos vai descobrindo que a verdade
que ensinaram pra ela pode não ser a verdade que ela se lembra. E como saber o
que é certo quando não se tem passado.
“Talvez
seja mesmo essa a resposta. Sou uma página em branco. Uma página sem
graça." (p. 18)”
O fim do primeiro livro é tão
confuso quanto o começo, uma confusão que nos deixa desesperado para terminar
toda a serie de uma vez. Vale a pena ver o ponto de vista de uma criminosa sem
passado e sem memória.


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